Biografia Metallica - Por Fernanda Duarte
Publicado na 1º Edição – dez 2008 (pg. 05 – 09)
Para descrever a banda Metallica seriam usados infinitos adjetivos, mas só os fãs que realmente acompanham esta história de sucesso podem resumir em suas palavras seu amor pela banda. Vamos ver a trajetória de uma das bandas mais famosas do mundo.
Foi aos 9 anos que o dinamarquês Lars Ulrich, conheceu o rock, através de um show do Deep Purple, e desde então passou a ser um colecionador de discos do gênero. Com a bateria que ganhou de presente dos avós começa a nascer o interesse pelo instrumento, porém é nesta mesma época que se intensifica sua carreira como jogador de tênis.
Em 1979, Lars Urich vai para a Flórida (EUA) ingressar em uma academia de tênis. No ano seguinte apostando na carreira de tenista do filho, a família decide se mudar para Newport, próximo a Los Angeles (EUA). Lars vende sua bateria contra sua vontade, mas isso não diminui seu fanatismo pelas bandas.
Mas foi em 1981, acompanhando uma turnê de Diamond Head, na Inglaterra, que surgiu a vontade de montar uma banda. Conhecer como funcionavam os bastidores de uma turnê e tudo o que acontecia com a banda despertou em Lars a vontade de participar disto também. Foi então que, voltando aos EUA, ele publicou um anúncio à procura de músicos em um jornal e quem respondeu foi James Hetfield, um jovem de realidade bem diferente a de Lars.
Lars, James e o guitarrista solo Lloyd Grant gravaram “Hit The Lights”. Logo com um amigo, Ron McGovney, no baixo, eles arrumaram um guitarrista solo também, chamado Dave Mustaine (atual líder do Megadeth), nesta altura Lloyd já não participava mais, e com essa formação, em Julho de 1982, eles entram pela primeira vez em um estúdio para gravar sete músicas na Demo-Tape “No Life Till’Leather”.
Logo após conheceram o baixista Cliff Burton, depois do show da banda Trauma (na qual ele tocava) e o convidaram a participar da banda Metallica, ele aceitou e entrou no lugar de Ron McGovney. Mas ainda para fechar esta banda que conquistou milhões de fãs faltava algo, pois não estavam contentes com o guitarrista Dave Mustaine que abusava do uso de álcool, devido a isso é retirado da banda (logo depois fundou a banda Megadeth) e em seu lugar entra Kirk Hammett (ex-Exodus) e está formada uma das maiores bandas de todos os tempos.
Com esta formação, em Nova York gravam seu primeiro LP “Kill’ Em All” mostrando uma banda que tem algo mais do que as outras do gênero recebendo ótimas críticas. Sua primeira grande turnê com a banda Raven provou um grande sucesso por se tratar de uma banda independente. Após a turnê, eles se concentram em seu novo disco.
Em 1984 é lançado o segundo álbum “Ride the Lightning” com músicas quase tão agressivas quanto às do primeiro disco, a partir deste momento começam a ser empresariados pela Q-Prime, e assumem um novo contrato com a Elektra Records.
No ano de 1985 continuam fazendo shows e no fim deste ano, vão para a Dinamarca, terra natal de Lars, para gravar um novo disco. A banda ganhou uma crescente comunidade de fãs no meio da música underground, e em 1986, já era considerada uma banda grande. “Master of Puppets”, que vendeu mais de um milhão de cópias nos EUA, é lançado em março de 1986, sendo para os fãs e alguns críticos um
dos melhores álbuns do Metallica com um som mais elaborado, sem perder a agressividade.
O Metallica então sai para uma importante turnê fazendo abertura dos shows de Ozzy Osbourne, mas infelizmente no dia 27 de setembro de 1986, na Suécia durante a turnê, eles perderam o amigo e baixista Cliff Burton num acidente com o ônibus que os levava. Eles decidem continuar com a banda e, dois meses depois encontram um novo baixista: Jason Newsted (ex-Flotsam & Jetsam), seu estilo metal contribuiu muito com a banda. Sua entrada foi meio conturbada, pois a banda passava por uma grande perda, uma séria mudança contra sua vontade.
Em 1987 o Metallica retorna à Europa, para shows que acabaram sendo adiados por causa da morte de Cliff. A garagem de Lars se transforma num estúdio de ensaio, onde a banda grava Garage Days Re-revisited, cheio de covers, lançado em edição limitada. No ano seguinte lançam Cliff’ Em All, um vídeo tributo ao baixista.
Com o tempo aceitaram Jason como novo amigo, mas mesmo anos depois de sua entrada, ainda havia as comparações a Cliff, mesmo por alguns fãs.
Logo começaram a gravar um novo disco, que saiu em 1988 “...And Jutice For All” , o primeiro disco duplo do Metallica. e o quarto da carreira, batendo recordes de vendas (a banda foi indicada ao Grammy, mas perdeu), levando a banda a uma turnê mundial chamada Damaged Justice Tour, passando inclusive pelo Brasil em 1989.
One é uma das melhores letras da carreira do Metallica, sendo título do primeiro video-clipe, que para passar na MTV teve que ser reduzida em quase 3 minutos. O Metallica e a mídia começam a se entender e com isso houve muitas críticas dizendo que o Metallica estava se vendendo ao grande público, porém esse entendimento ajudou a banda no estouro do disco seguinte “Metallica”, conhecido como “The Black Album”.
Em 1991, o produtor Bob Rock é o responsável pelo novo álbum, ele é conhecido pelo trabalho com Bon Jovi e Motley Crue, o lançamento do álbum Metallica, foi um verdadeiro sucesso, porém provoca diferentes opiniões. As críticas quanto à música do Metallica ter se tornado mais popular e menos pesada aumentaram, o álbum foi primeiro lugar na Billboard 200, vendeu quase 20 milhões de cópias e tocou muito nas rádios e na MTV. Para alguns fãs e críticos a banda havia se tornado Pop. É neste álbum que encontramos a famosa “The Unforgiven”, “Nothing Else Matters” e a banda ganha um Grammy dessa vez pela canção “Enter Sandman”.
Este último álbum rendeu a turnê mais longa do Metallica, que durou de agosto de 1991 a julho de 1993 no total de 300 shows pelo mundo todo. Devido a isto eles precisavam de férias por algum tempo.
A volta em 1996, com o novo álbum “Load”, traz um som completamente diferente de todas as gravações anteriores do Metallica, além do visual dos integrantes estar completamente diferente com cabelos curtos, roupas comportadas, são homens casados agora, as criticas dos fãs tornam-se maiores, a banda é taxada de “comercial”, porém continuou se mantendo em uma posição privilegiada.
As gravações de Load renderam tanto, que muitas músicas ficaram para depois no Reload , que é lançado em 1997, com um pouco mais de peso, com músicas como “Fuel” e “The Memory Remains” este álbum é melhor recebido pelo público. Os shows desta turnê foram feitos a maioria em locais com capacidade para poucas pessoas.
Em 1998 acontece o lançamento do “Garage inc” que reuniu em dois CDs todas as covers que o Metallica já registrou incluindo coisas como “Turn The Page”, “Whiskey In The Jar”. A maioria dos fãs que haviam se afastado do Metallica por causa das duas últimas produções, voltaram atrás no seu conceito.
Em 1999 a gravação de “S & M”, um álbum ao vivo duplo com a Orquestra Sinfônica de São Francisco que incluia 27 músicas, deixou muitos que não acreditavam que isso fosse possível de boca aberta. O resultado foi excelente e rendeu até um vídeo clip para “Nothing Else Mathers”, além dos vários sucessos do Metallica o “S & M” traz também duas inéditas, “No Leaf Clover” e “Human”.
Já no ano de 2000, a banda digamos que descansou, pois gravou apenas uma música “I Disappear” para a trilha sonora do filme Missão Impossível 2, que foi um grande sucesso juntamente com o filme. Ainda no mesmo ano, o Metallica divide a opinião de fãs quando fica entre os vários artistas que apresentaram uma ação judicial contra a Napster (que permitia que os usuários de internet baixassem arquivos diretamente dos computadores de outros usuários), pois compartilhava materiais protegidos por direitos autorais, sem o consentimento da banda.
Em 2001 as coisas começam a ficar complicadas novamente para a banda, o baixista Jason Newsted resolveu deixar o Metallica, devido às diversas questões que ele alegava como falta de liberdade e insatisfação com a banda (mesmo depois de 14 anos) e também problemas físicos e emocionais devido o barulho do Metallica. No mesmo ano James Hetfield se internou em uma clínica de reabilitação para tratar da dependência de drogas e álcool.
Depois de um tempo parados, começaram então a surgir os boatos de que a banda acabaria, mas Lars e Kirk garantiam que não, mesmo após o cancelamento de alguns compromissos.
A expectativa era grande em meados de 2002, sobre a volta de James e um novo baixista, os palpites eram muitos sobre a volta de Jason Newsted, ou a escolha de um novo, mas Bob Rock, produtor musical da banda, como sempre deu o apoio necessário a banda, acabou assumindo o baixo para adiantar a produção de um novo álbum.
Depois da saída de James da clínica, ocorre o retorno da banda em 2003, contando com a entrada do baixista Robert Trujillo (Suicidal Tendencies e Ozzy Osbourne), após uma seleção feita pelos membros do Metallica, uma das coisas que chamaram a atenção deles é que o jeito dele tocar lembrava muito a Cliff. A banda volta com tudo e “St. Anger” é lançado, com muito mais peso, esse álbum traz de volta ao som do Metallica à agressividade. No mesmo ano eles se apresentaram em Paris e lançaram em 2004 um CD ao vivo desse show, contando com as principais músicas gravadas ao longo da história da banda.
No ano de 2005, ocorre o lançamento do documentário, “Some Kind Of Monster”, uma edição dupla em DVD, com entrevistas com os integrantes da banda, comentários dos diretores, documentando o processo de gravação de St. Anger,além de aparições do Metallica em festivais e premiações.
Acompanhando toda esta história, vimos sem dúvida, o quanto o Metallica é uma grande banda, não só no aspecto palpável, mas sim de força e garra, demonstrando em todas as fases que tudo é possível quando se tem vontade de fazer. A banda tornou-se uma das mais influentes e bem sucedidos dentro do seu estilo. Com 90 milhões de registros vendidos em todo o mundo, vencedora de sete Grammy Awards, mostrou para alguns que tem uma visão distorcida do heavy metal, que este estilo pode agradar a muitas pessoas diferentes.
A última novidade da banda é o albúm
“Death Magnetic”, lançado em setembro deste ano, com a produção de Rick Rubin pela gravadora Warner Bros. Records Segundo a banda, o álbum tem um som mais pesado, resgatando suas raízes, numa declaração de Lars Ulrich, o baterista do Metallica, no início do ano disse que não sbia como seria o impacto sobre os fãs referente ao novo CD, mas afirmou:
“É Metallica, isso que eu posso te dizer”, “Meu pai esteve em casa por algumas semanas e eu toquei algumas músicas para ele e eu disse, ‘então?’. Ele disse que soa como Metallica. Eu não sei se você pode definir isso, quero dizer, a gente pode se sentar e entrar em pequenas definições sobre isso, mas ele só olhou pra mim e disse, “isso soa como Metallica” e isso é bem legal.” Kirk Hammet também falou sobre o CD no site www.newsok.com: “Eu basicamente fui lá com a atitude de apenas fazer os solos mais rápidos, mais agressivos, altos, mais obscenos que eu poderia imaginar para o material. E sim, eu acho que combina muito bem com as músicas.”
Por incrível que pareça, as opiniões parecem que ainda continuam divididas, acredite ainda há fãs que não se renderam ao “Death Magnetic”, por acharem que é uma jogada da banda, que importa? O importante para quem é realmente fã de Metallica ou de qualquer outra banda de Metal é ouvir o som, se gostar distribua aos quatro ventos, se não gostar faça o mesmo, o boca a boca é a melhor propaganda, afinal cada um tem sua opinião, mas vai ai uma dica, não pensem, não achem, simplesmente: ´curtam`.
Fonte: www.metallica.com / www.metalremains.com

