Rock Post entrevista Taurus
Por Fernanda Duarte
A Rock Post teve o prazer de conhecer este ícone do Metal oitentista no Brasil, o Taurus, que nasceu de um sonho - parar de ser fã e começar a fazer música. Mesmo com a febre que o festival Rock in Rio (1985) parecia ter criado, sendo parte de uma banda de metais pesados no Brasil era como "ir para a guerra". Uma guerra de Quixote contra os moinhos de vento. Não foi apenas fazer música: assumir o sonho como um ideal e ir à luta foi uma tarefa muito difícil.
Começou em 1985 com o Otávio (vocal), Cláudio Bezz (guitarra), Jean (baixo), e Sérgio Bezz (bateria). A banda foi lançada em uma estação de rádio de rock chamado Fluminense FM.
Após shows no Rio, onde a banda reuniu um muito forte seguinte, Taurus se transformou em um dos mais respeitáveis nomes na cena underground e gravado seu álbum debut chamado "Signo de Touro", de Ponto Rock etiqueta (July/1986). Durante anos ocorreram vários fatos que mudaram o line-up do Taurus e também a breve pausa que só foi retomada em 2007.
Com o relançamento da discografia completa pela Marquee Records, a banda voltou com tudo para os shows que anteriormante abalavam as estruturas dos headbangers. A Rock Post teve o privilégio de conversar com alguns integrantes desta lenda viva do metal nacional, confira na íntegra.
Rock Post: Digo em nome da Revista Rock Post que é uma honra entrevistar um dos ícones do Metal Nacional, sendo uma banda existente desde 1985, vocês tem muito para compartilhar com os fãs e leitores, então vamos à entrevista.
Rock Post: A década de oitenta para muitos é considerada a época de ouro do Heavy Metal, e vocês vivenciaram o momento com a banda Taurus, sendo um dos nomes
R: (Cláudio Bezz) – Nada muito glamuroso... era muito difícil. Não tínhamos acesso a nada! Bons equipamentos, instrumentos, informação sobre técnicas instrumentais, revistas sobre rock, bandas, nada..... tudo teve que ser construído mesmo, com muita vontade e dedicação. Isso vale também para os espaços de shows, e rádios que tocavam rock (caso raro a rádio Fluminense “A Maldita” daqui do Rio). Mas as pessoas podem pensar: se tudo era tão ruim, porque foram tão longe?....a resposta é simples: a vontade de tocar era tão grande que derrubamos todos os muros que encontramos. Obviamente não estívemos sozinhos nisso. Inclua aí todas as bandas, produtores, selos e fanzines de então!
R:(Sérgio Bezz) - Uma experiência é uma boa palavra, as coisas eram bem experimentais. Não tínhamos fórmulas prontas, o que nos fazia arriscar. Acredito que isso criou um misto de criação de algo que funcionou bem, e também de coisas que eram um pouco amadoras, com o que isso têm de ruim. Não tínhamos produtores experientes nos orientando como existem hoje, o que nos lançou em alguns equívocos que hoje certamente não cometeríamos.
Rock Post: Sabemos que na época não havia meios de divulgação como hoje, o que tornava tudo bem mais difícil. Pegando este gancho, quais foram as maiores dificuldades encontradas pela banda?
R: (Cláudio Bezz) – A divulgação era de boca em boca, e também tinha uma força incrível que vinha dos fanzines. Todos buscavam informações sobre rock e suas vertentes, e o caminho era através dos fanzines. Sempre foram nossa “base” de sustentação. As maiores dificuldades, além da falta de estrutura ( em todas as áreas) acho que era a falta de informação... isso detonava tudo. Um exemplo disso era a falta de conhecimento sobre as técnicas para se microfonar ou gravar uma guitarra distorcida, ... nossa e dos técnicos de som da época. Lembro de cada história bizarra nos shows que fazíamos....
Mas recebíamos muitas cartas por mês de fãs. Esse era, talvez, o nosso contato mais direto com a galera, além, claro, dos fanzines.
R:(Sérgio Bezz)- Haviam muitas. Destacaria agora, que é a que estou lembrando, o fato de que não havendo uma divulgação satisfatória, e um meio mais profissionalizado, tocamos menos do que gostaríamos, e isso nos fazia colocar o pé no freio em momentos que estávamos com o tanque cheio, ou seja, sobrou combustível, que é o que acho fez a máquina funcionar tanto tempo depois com pressão.
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Rock Post: O segundo álbum “Trapped in Lies” de 1988, foi lançado com canções em inglês. Houve algo que motivasse vocês a passarem as composições para outro idioma?
R: (Cláudio Bezz) – Além de um novo direcionamento do som da banda, a entrada do Jeziel nos motivou bastante para começarmos a cantar em inglês. Temos muito orgulho desse disco e que gostamos até hoje. Mas o contexto da época era o seguinte: Havíamos lançado o Signo de Taurus ( primeiro álbum) e tentamos lançar no exterior...mas a barreira da língua impediu que concretizássemos. As bandas começaram a vislumbrar um lugar ao sol no mundo metálico. “Se podemos fazer um som pesado no Brasil, porque não fora do pais também? Tínhamos qualidade para isso “ .... essa era a questão. Vamos então cantar em inglês.... além de ser a língua “oficial” do rock.... tantas outras bandas fizeram o mesmo caminho... Bem, o mundo mudou e hoje é mais fácil te aceitarem pelas suas diferenças. Bom sinal...
R:(Sérgio Bezz)- O sonho de conquistar o mundo - veja só que pretensão. Era uma febre de muitos daquela época, inspirados por bandas que começavam a ter êxito nesse caminho internacional. Acho o Trapped um ótimo disco, com composições que tocamos atualmente com muito prazer.
Rock Post: Em 1989 foi lançado o album “Pornography”, que marcou a paralisação da banda por alguns anos. Como ocorreu isso e o que motivou a volta de vocês em 2007?
R: (Cláudio Bezz) –A palavra foi utilizada com acerto: paralisação. Nunca decretamos o fim do Taurus. Apenas deixamos de tocar juntos, naturalmente. Motivos? a cena enfraquecida dos anos 90, penso eu, foi a principal causa. Em 2006 recebemos uma proposta da Marquee (do Rio) para relançarmos toda a nossa discografia em CDs remasterizados, comemorando 20 anos. Achamos a ideia sensacional. Tanto, que começamos a receber muitas mensagens de fãs perguntando sobre a banda, se voltaríamos a tocar novamente...e não deu outra: Resolvemos fazer um ensaio para ver como estariam as coisas.... e literalmente pegou fogo logo de cara. Ficamos tão empolgados que resolvemos marcar um show num pequeno teatro, só para fãs do orkut ( comunidade Signo de Taurus), mas logo em seguida veio um convite para tocarmos com o Testament, no Rio.... Aí percebemos que não tinha mais jeito...estávamos de volta!!!
Rock Post: O que chama atenção na volta da banda todo o material relançado pela Marquee Records. De onde surgiu esta ideia e quais os planos futuros da gravadora para o Taurus?
R: (Cláudio Bezz) – Como já disse, a ideia veio da Marquee, mas também de encontro com o que gostaríamos de fazer. Um trabalho de reedição super bem feito, bem no estilo do que fazíamos na década de 80, ou seja: capricho na produção, capa, encarte, gravação...
Rock Post: Vocês acabaram de fazer um show em Manaus e já estão com apresentações marcadas pelo sul do Brasil. Como está sendo a receptividade do público por onde vocês passam?
R: (Cláudio Bezz) – Tudo tem sido maravilhoso. Por onde passamos temos sido super bem recebidos. Por novos e antigos fãs. Shows sempre lotados, e a nossa garra e vontade de subir no palco totalmente resgatados e revigorados. A galera nem entende como esses quarentões podem bater tanto cabeça quanto eles mesmos... isso é para sempre... e estamos muito felizes com tudo. Nossa agenda está bem bacana, mas não como gostaríamos, claro. Não esqueçamos que vivemos no Brasil, país continental e que tem enormes dificuldades. Acho que nesse contexto, estamos nos saindo muito bem.
R:(Sérgio Bezz)- Fabulosa. Como você citou Manaus, tenho que dizer que o show lá foi muito especial, com um público muito receptivo. O local estava lotado, e um fenômeno muito legal que lá também vimos, assim como em outras cidades do Brasil em que estivemos, é que há uma nova geração que está conhecendo o Taurus agora, que nos dizem ter sido apresentada ao Taurus pela antiga geração, então temos um público daqueles que gostam do Metal mais clássico, assim como aqueles mais novos que estão conhecendo e resgatando um estilo de metal um pouco esquecido nos últimos anos, com riffs de guitarra e letras em português.
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da banda para 2009?
R: (Cláudio Bezz) – Os nosso planos já são realidade. Novo disco quase pronto! O quarto de nossa carreira. Lançamento no segundo semestre de 2009. Temos um “ao vivo” já pronto e mixado. Deverá sair junto com o novo disco. Também estamos fazendo parte do DVD “Brasil Heavy Metal”, que é um documentário que vai marcar as vidas de todo mundo que curte metal no Brasil. E continuamos nossa saga rumo aos shows pelo país.
Rock Post: Gostaria de agradecer, pois foi um imenso prazer entrevistar uma lenda viva do Metal Nacional e espero ver muitos trabalhos do Taurus ainda. Desejo muito sucesso a Taurus e deixo o espaço nas mãos de vocês.
R: (Cláudio Bezz) – Obrigado a Fernanda e a todos do Rock Post pela oportunidade de estarmos nos comunicando com quem curte nosso som. Acho que temos ainda um longo período de vida musical pela frente. Vivemos cada coisa a seu tempo, e tentamos aproveitar ao máximo todos os momentos. Tanto quanto há 20 anos atrás, agora também é o nosso tempo. Espero que possamos ter a oportunidade de encontrar todos que curtem o Taurus nos shows. Queremos muito estar próximos a vocês.
Façam-nos uma visita em www.taurusofficial.com, ou pelo myspace, ou pelo orkut.
Abraços a todos.
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