Entrevista Ravenland
A Rock Post entrevistou a banda RAVENLAND, formada no fim de 1997 por Dewindson Wolfheart influeciado pelo poema de Edgar Alan Poe (The Raven), por James O´Bar no filme (o Corvo) e por bandas de Dark Rock & Doom Metal Gótico europeu dos anos 80/90.

Baseado na temática de que o corvo seria o único ser capaz de transitar entre os dois mundos, o dos mortos e o dos vivos, foi escolhido assim o nome da banda, que em suas músicas além de abordar temas de vida e morte, a sonoridade contida mesclaria o peso e a energia do metal com toda essa atmosfera gótica.
A banda que vem ganhando a cada dia um maior destaque no cenário nacional, lançou sua primeira demo-tape “October of ...” em 1998 qual obteve bastante repercussão no underground e foi bem elogiada pelo público e mídia especializada. Com isso, a banda logo recebeu um convite do selo Moonshadow para o lançamento do seu Debut álbum “After the sun hides”(2001) contendo 10 músicas e que seria distribuído em mais de 25 países. Infelizmente por motivos religiosos o selo veio a fechar antes mesmo de lançar o debut álbum da banda. Apesar de outras propostas para lançar, Dewindson preferiu engavetar o disco. Após outros fatos, saída de integrantes e uma pausa de três anos, em 2006, Dewindson conhece Camilla Raven que o convence a reativar a RAVENLAND, juntos trazem uma banda com nova formação, e lançam um novo EP. Em constante ascensão, a banda lança este ano o álbum intitulado “...And a Crow Brings Me Back” produzido por Ricardo Confessori. Confira o bate-papo com Dewindson e Camilla Raven.
Rock Post: Como surgiu a ideia do nome RAVENLAND? Explique um pouco sobre o corvo como símbolo gótico.
Dewindson - A RAVENLAND surgiu a partir do momento que resolvi unir a energia e o peso do metal com uma atmosfera sombria da música gótica influenciado pelo conto de Edgar Alan Poe “The Raven”, o filme “O Corvo” e toda a lenda mística que ronda esta bela ave negra. Isto me influenciou bastante, e o nome veio quando conheci a música “Raven land” da banda sueca LAKE OF TEARS, onde a letra e a sonoridade transmitiam tudo que eu queria para nossa música.
Acredito que o corvo seja o elemento da natureza que mais transmite uma sombriedade, uma melancolia, é uma ave mística, lendária, não é a toa que quase todo filme de terror ou suspense tem que ter um corvo para ilustrar o cenário, por isso ele pode ser um símbolo vivo do goticismo.
Rock Post: Sabemos que todo começo para uma banda não é fácil, os obstáculos são os mais diversos possíveis. Como foi para vocês o início de tudo isso, principalmente quando decidiram gravar a demo-tape “OCTOBER OF 1998”?
Dewindson - A RAVENLAND enfrentou muitos obstáculos realmente, mas tivemos muitas vitórias, uma delas foi ter que transformar a minha ex-casa em um estúdio naquela época para podermos gravar a nossa primeira demo, na cara dura, sem produtor, só um técnico de som, éramos, eu, Xandão, André Cardoso e o Clécio Christian na produção, na raça, mas em seguida tivemos como resultado ótimas críticas com a demo “October of 1998” em grandes revistas e zines, além dela ter nos ajudado a encontrar uma gravadora (Moonshadow) disposta a lançar um disco nosso.
Infelizmente outro grande obstáculo foram as alterações na formação, pois o André Cardoso teve que se mudar para o interior de São Paulo com a sua família e depois de um ano, o Xandão nos deixou para integrar a banda ANDRALLS, logo após estas alterações tivemos o problema do fechamento do selo Moonshadow que iria lançar o nosso primeiro disco já todo gravado faltando apenas mixar e masterizar.
Foram muitas as dificuldades e ainda existem muitas, mesmo a banda estando hoje em outro patamar, uma delas é a prova viva, o nosso disco foi um parto para concluirmos (risos), graças a FREEMIND, nossa gravadora atual o disco sairá até o fim deste semestre.
Rock Post: Como foi a produção do álbum “...And a Crow Brings me Back” pelas mãos de Ricardo Confessori (ANGRA/SHAMAN)? Vocês tiveram o resultado que esperavam?
Dewindson - Olha, sinceramente, foi um resultado acima da média pra mim, só achei que faltaram alguns vocais guturais e rasgados que eu até cheguei a gravar, mas ele achou que não combinava com o nosso som e não os incluiu (risos). A produção está excelente, a meu ver, por ser o nosso debut álbum, bem, não poderia estar melhor.
Camilla Raven - Também considero que a produção foi excelente, abrimos a mente para muitas coisas novas. Além disso, o Confessori foi muito legal conosco, principalmente a partir do momento em que o Rick Barrocks (baterista da banda na época) teve que deixar a RAVENLAND logo após a pré-produção do disco devido a um problema no joelho. Então o Ricardo Confessori se ofereceu para gravar a bateria do nosso disco inteiro e falou para que ficássemos tranquilos, que isso nos daria tempo depois para encontrar um outro baterista.
Rock Post: Em entrevistas já concedidas anteriormente a outros sites, Dewindson alegou que as influências não vêm apenas de bandas ou músicos, mas também de livros, filmes, poesia gótica entre outros. Vocês acham que há um enriquecimento nas músicas maior do que o esperado devido estas influências? Falem um pouco sobre as influências da banda.
Dewindson – Acredito que sempre que você lê um livro, assiste a um filme, você passa a ver algo de forma diferente, um tema por outra ótica, e isso ajuda a você não usar somente a sua forma de ver ou entender as coisas, daí acredito que isso ajude bastante a enriquecer sim a parte lírica da banda.
Camilla Raven – As nossas influências circundam em torno de uma bagagem cultural adquirida no decorrer da vida. Deixamos que poemas, livros, filmes nos influenciem ou nos inspirem, mas sempre apostando em novas ideias, novas formas, para manter a nossa identidade própria. Algo que buscamos sempre no nosso trabalho com a RavenLand é transmitir uma personalidade própria, mas o que curtimos, o que lemos, forma o que somos e a nossa visão de tudo.
Dewindson – Sobre as minhas influências, vem de bandas de metal em geral, doom, gothic, black metal e do gothic rock oitentista, Cure, Smiths, Sisters of Mercy, Depeche Mode...além de livros como de Edgar Alan Poe, Álvares de Azevedo, Cruz e Souza...sobre filmes, suspense e histórias verídicas.
Camilla Raven – Apesar de muitos sons que curtimos, entre outras coisas, serem parecidos, cada um na banda tem um gosto mais pessoal a parte, e acredito que isso ajudou a enriquecer o nosso som e a criar uma personalidade. Algo que possam escutar e dizer “é RavenLand”. Além de tudo que Dewindson citou, gosto muito de musicais como “Sweeney Todd”, Fastasma da Ópera”, entre outras músicas que uso para estudar canto.
Rock Post: Por existirem inúmeras bandas boas espalhadas pelo mundo, hoje para alcançar um lugar na mídia é necessário ter um diferencial. Na opinião de vocês qual o principal diferencial que a RAVENLAND apresenta?
Camilla Raven – Nós não deixamos que uma banda nos influencie a ponto de ser uma cópia. Tanto que eu quis chocar um pouco nesse primeiro disco oficial, usando uma voz mais incomum, mais grave, apesar de ter umas partes altas, mas sempre no estilo mais dramático, o que passa a sensação de ser mais grave do que é, além de poder mostrar mais força na voz, potência.
Dewindson – O nosso som apesar de estar enquadrado em um estilo comum como o Gothic Metal, fazemos algo diferente, os vocais da Camilla não são líricos, apesar dela saber cantar neste estilo também, e de outras formas, mas ela não faz uso deste tipo de canto na RAVENLAND, os meus vocais são limpos e graves, não são guturais na maioria do tempo, tem o violino também que é um instrumento exótico, a nossa música é mais simples e direta, não tem tanto virtuosismo, apesar do João Cruz (baixista) está se formando em regência e composição, e o Albanes ser um grande guitarrista assim como o Fernando Tropz que toca bateria há mais de 10 anos e é professor de bateria, mas em nossa música o som é simples e direto.
Bem, além disto, procuramos sempre manter uma postura bem profissional na banda, mesmo sem termos muitos recursos escolhemos trabalhar com pessoas de grande gabarito e respeito na cena metal, como o Ricardo Confessori, o Waldemar Sorychta (produtor europeu), o Tommy Lindal (ex-THEATRE OF TRAGEDY) e o Gustavo Sazes (responsável pela arte da capa do CD).
Rock Post: Desde 1997, quando se iniciaram os trabalhos da banda, até hoje, passado 12 anos, como vocês resumiriam a trajetória da RAVENLAND?
Dewindson - Olha, eu diria que com perseverança e trabalho conseguimos uma ótima posição na cena metal nacional, mas ainda é muito cedo e estamos escrevendo ainda a nossa história no metal nacional, tem muita estrada por vir.
Eu costumo contar e avaliar não desde 1997/1998, mas desde 2006 quando voltamos a cena com tudo e estabilizamos a formação, pois com exceção do Fernando Tropesso, o resto da banda está comigo desde 2006, quando eu e a Camilla nos radicamos em São Paulo para investir 100% na RAVENLAND, e até então formamos um grande time com muita força e o mesmo objetivo.
Rock Post: O mais novo trabalho de vocês “...And a Crow Brings me Back”, está sendo lançado pela gravadora FREE MIND, com quem vocês assinaram contrato no ano passado. Como está sendo esta parceria para a banda?
Camilla Raven – Foi um grande ponto positivo na nossa história. A gravadora acredita no nosso som, nos apóia e há uma grande relação de confiança, além dos laços de amizade que só crescem.
Dewindson – O Rodrigo, proprietário da FREEMIND, é um excelente empresário que está investindo muito no metal nacional. Temos um ótimo relacionamento com ele e espero podermos ver esta gravadora como a maior do Brasil um dia, pois eles trabalham muito e de forma honesta. Atualmente, além de distribuir para lojas especializadas em metal de todo o Brasil, a FREEMIND tem uma distribuição também na Alemanha e nos Estados Unidos.
Rock Post: Vocês fizeram um show de pré-estreia do álbum em Uberaba (MG), como foi a receptividade do público?
Dewindson – Eu diria que este foi um dos nossos melhores shows em se tratando de energia do público, eles foram fantásticos e muitos já conheciam nossas músicas do Myspace e agitaram elouquecidamente. Foi muito legal tocar em Uberaba, retornaremos em breve para outro show, os produtores do evento adoraram o show, assim como o público, inclusive a segunda prensagem do nosso EP back acabou nesse show. O público foi fenomenal conosco, gostaríamos de mandar um forte abraço a todos os nossos fãs e amigos de Uberaba.
Camilla Raven – Realmente, também considero o nosso melhor show. Foi muito enérgico, o público agitou muito, inesquecível.
Rock Post: Além do lançamento do álbum “...And a Crow Brings me Back”, quais são os projetos para 2009? Há alguma turnê já definida?
Dewindson – Estamos preparando uma ótima produção de palco e ensaiando para podermos reproduzir ao vivo toda a música e atmosfera contida no disco, provavelmente assim que o CD for lançado iremos trabalhar uma divulgação em massa na mídia junto com a gravadora e nossa acessória de imprensa para podermos agendar no segundo semestre uma grande turnê que possa passar em muitos estados do Brasil.
Camilla Raven – Inclusive, uma grande banda gringa que estará excursionando pela América do Sul no final do ano, já nos contatou para tentarmos fechar os shows com eles e assim fazermos várias datas pelo Brasil, Bolívia, Chile, Argentina e Peru, no momento está em negociação, assim que estiver confirmado divulgaremos na mídia.
Rock Post: Agradecemos a oportunidade de entrevistar vocês e a equipe Rock Post deseja sucesso para a RAVENLAND. Deixem recado para os fãs da banda e nossos leitores.
Camilla Raven – Obrigada a todos que estão acompanhando a nossa trajetória e nos apoiando. Todo o apoio nos fortalece e é muito necessário para continuarmos na luta pelo metal no Brasil.
Dewindson – Gostaria de agradecer a vocês em nome da RAVENLAND pelo espaço e apoio as bandas nacionais. Para os fãs, adquiram o nosso CD “...and a crow brings me back” e confiram o nosso show, a energia e peso da nossa música ao vivo.
Camilla Raven – Confiram o nosso vídeo-clipe oficial da música “End of Light” no nosso canal no Youtube: www.youtube.com/ravenlandchannel. Para shows podem entrar em contato pelo email: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. . Obrigada pelo apoio e um grande abraço sob as asas dos corvos da RAVENLAND.
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